quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O que é Arte?





Se olharmos a nossa volta, notaremos a enorme quantidade de objetos que nos rodeiam, em casa, no trabalho, na sala de aula e nos mais diversos lugares. Pensando sobre eles, concluímos que, todos foram feitos com alguma finalidade, desde utensílios domésticos, como um garfo ou um forno de microondas, até instrumentos de trabalho, como o lápis, computadores ou robôs de uma linha de montagem. Estamos, enfim, cercados de objetos que facilitam nosso dia a dia. Ao longo da história, o ser humano sempre projetou e produziu ferramentas que o ajudassem a superar suas limitações físicas. A vara e o anzol, são prolongamentos de seu braço; o guindaste permite-lhe levantar grandes pesos. Assim este ser, que seria facilmente subjulgado pelos elementos da natureza, produziu um sem-número de artefatos que lhe tornaram possível transformar o meio natural segundo suas necessidades. Muitos desses artefatos produzidos em tempos remotos resistiram ao tempo e são até hoje encontrados nos chamados sítios arqueológicos, locais que guardam vestígios da ocupação humana. Pela observação de potes, urnas mortuárias e instrumentos rudimentares para tecer, caçar ou pescar, é possível perceber como viviam nossos ancestrais. A exemplo dos objetos de nossa vida diária, esses artefatos, hoje expostos em museus, já tiveram sua utilidade. Além dos artefatos de que falamos até aqui, o ser humano sempre produziu e se cercou de objetos sem utilidade evidente e imediata. Ao vê-los, é inevitável que nos perguntemos: por que e para que teriam sido feitos? A busca por respostas nos levam a uma constatação: o ser humano, seja de que época for, cria objetos não apenas para se servir deles, mas também para expressar seus sentimentos diante da vida. Muitas dessas criações que aparentemente não tem utilidade e por vezes não expressam uma clara intenção são as obras de arte. Elas também nos contam – talvez de forma até mais fiel que as primeiras – a história humana ao longo dos séculos. Segundo Ruskin, crítico de arte inglês, “as grandes nações escrevem sua autobiografia em três volumes: o livro de suas ações, o livro de suas palavras e o livro de sua arte”. E acrescenta: “nenhum desse três livros pode ser compreendido sem que se tenha lido os outros dois, mas desses três, o único em que se pode confiar é o último”. Assim, a produção artística não deve ser considerada um fato extraordinário dentro da cultura humana. Ao contrário, deve ser vista como profundamente integrada à cultura e aos sentimentos de um povo: ora retrata elementos do meio natural, como é o caso das pinturas pré-históricas, ora representam divindades de uma antiga civilização ou expressam sentimentos religiosos. A arte pode também ser um verdadeiro testemunho histórico, ao retratar situações sociais. O artista pode, ainda, apenas trabalhar com elementos pictóricos – cor e composição, por exemplo -, sugerindo diferentes impressões e sensações a quem contempla sua obra. Todas essas manifestações artísticas demonstram uma preocupação humana: a busca por expressar a beleza. Essa busca está tão presente em todas as culturas que até mesmo os objetos utilitários são concebidos de forma harmoniosa, com uma cuidadosa combinação de materiais e cores. Notamos isso tanto em uma urna grega, um instrumento astronômico do século XVI, em um automóvel de nossa época ou em um diadema indígena. Com seus múltiplos significados, a arte não está, portanto, isolada das demais atividades humanas: ela está presente nos inúmeros artefatos que fazem parte do nosso dia a dia. Muitos objetos que hoje vemos nos museus ontem faziam parte do cotidiano de um grupo humano. Muitas construções hoje tombadas como patrimônio histórico foram antes moradias: nelas, famílias inteiras compartilharam momentos de alegria e de tristeza. Do mesmo modo, os objetos de que nos cercamos hoje poderão no futuro ser expostos em museus, como testemunho de nossos hábitos, nossos valores e nosso modo de vida.